sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
Um Ateu de Mau Humor - Dê um voto de confiança aos evolucionistas
O que acharam?
sábado, 21 de fevereiro de 2009
Os Tipos Religiosos
Esta foi uma palestra de Richard Dawkins extraída do Nullifidian (Dezembro 1994)
Religiosos dividem-se em três grupos principais quando confrontados com a ciência. Vou agrupá-los em os “sabe-nada”, os “sabe-tudo” e os “não-tem-nada-a-ver”. Suspeito que esse Dr. John Habgood, o Arcebispo de Nova Iorque, pertence provavelmente ao terceiro desses grupos, portanto começarei por ele.
Os “Não-tem-nada-a-ver” já se conformaram com o fato de que a religião não pode competir com a ciência em seu próprio terreno. Pensam que não há nenhuma disputa entre a ciência e a religião, porque simplesmente tratam de coisas diferentes. O relato bíblico da origem do universo (a origem da vida e do homem, a diversidade das espécies, etc.) – todas essas coisas, já se sabe, são inverdades.
Os “Não-tem-nada-a-ver” não se incomodam com isto: consideram esse relato extremamente ingênuo, sendo quase de mau gosto perguntar sobre uma história bíblica: “é verdadeira mesmo?”. Respondem: “Verdadeira, verdadeira? Claro que não. Pelo menos no sentido tosco e literal. A ciência e a religião não estão disputando o mesmo território. Tratam de coisas diferentes. São igualmente verdadeiras, mas cada uma a seu modo.”
Uma frase favorita e completamente sem sentido é “alçada religiosa”. Você depara-se com ela em declarações tais como “a ciência explica esse fato muito bem, mas esse outro é da alçada religiosa.”
Os “sabe-nada”, ou os fundamentalistas, de certa maneira são mais honestos. São fiéis à história. Reconhecem que até recentemente uma das principais funções das religiões era científica: a explicação da existência, do universo, da vida. Historicamente, a maioria das religiões sempre foi cosmológica e biológica. Suspeito que hoje, se você pedisse que alguém justificasse sua crença em Deus, a razão predominante seria científica. A maioria, penso eu, acredita que é necessário um Deus para explicar a existência do mundo, particularmente da vida. Estão errados, é claro, mas nosso sistema de instrução é tal que muitos não sabem.
São também fiéis à historia porque não se pode escapar das implicações científicas da religião. Um universo com um Deus seria completamente diferente de um sem. Uma física, uma biologia onde haja um Deus é obrigada a parecer diferente. Assim, as afirmações mais básicas da religião são científicas. A religião é uma teoria científica.
Sou acusado às vezes de intolerância arrogante em meu tratamento dos criacionistas. Naturalmente, a arrogância é uma característica desagradável, e eu deveria odiar ser visto como arrogante de uma maneira geral. Mas a paciência tem limites! Para se ter uma idéia de como é ser um estudante profissional de evolução, chamado a ter um debate sério com criacionistas, a seguinte comparação é justa: imagine-se como um erudito que passou toda sua vida estudando a historia romana em todo seu rico detalhe; de repente, alguém aparece, formado em engenharia marítima ou no estudo da música medieval, e se põe a argumentar que o Império Romano nunca existiu. Você não acharia duro suprimir sua impaciência? E isso não se pareceria um pouco com arrogância?
Meu terceiro grupo, os “sabe-tudo” (eu indelicadamente chamo-os assim por causa da sua posição condescendente), pensam que a religião é boa para as pessoas, e talvez até mesmo para a sociedade. Talvez boa porque os consola na morte ou aflição, talvez porque forneça um código moral.
Não importa se a crença religiosa é ou não verdadeira. Talvez não haja um Deus; nós, os instruídos, sabemos que não existe quase nenhuma evidência para tal, sem falar em idéias tais como a Virgem dar à luz ou a Ressurreição. Mas a massa sem educação precisa de um Deus para mantê-la fora do crime ou confortá-la na aflição. O fato de Deus provavelmente não existir pode ser deixado de lado no interesse de um bem social maior. Não preciso dizer mais nada sobre os “sabe-tudo”, porque nunca declarariam ter qualquer coisa para contribuir à verdade científica.
Deus é uma supercorda?
Retornarei agora aos “Não-tem-nada-a-ver”. Seu argumento é certamente digno de exame sério, mas penso que concluiremos que ele tem só um pouquinho mais de mérito que os de outros grupos.
Deus não é um velhinho de barba branca no céu. Bem, então, o que é Deus? Nesse momento começam as evasivas covardes. Que variam o tempo todo. “Deus não está no exterior, e sim no interior de todos nós”. “Deus é a base do ser”. “Deus é a essência da vida”. “Deus é o universo”. “Você não acredita no universo?” “É claro que acredito no universo” “Então você acredita em Deus”. “Deus é amor, você não acredita no amor?” “Certo, então você acredita em Deus?”
Os físicos modernos se expressam, às vezes, com um quê de misticismo quando entretêm perguntas tais como por que o Big-Bang aconteceu quando aconteceu, por que as leis da física são estas e não aquelas, até mesmo por que o universo existe, e assim por diante. Às vezes, os físicos podem lançar mão do discurso de que há um cerne oculto de mistério que não compreendemos, e talvez nunca entenderemos; e podem então dizer que talvez este cerne oculto de mistério seja um outro nome para Deus. Ou nas palavras de Stephen Hawking, se compreendermos estas coisas, talvez “conheceremos a mente de Deus”.
O problema é que esse Deus, da maneira sofisticada como os físicos usam esse termo, não se assemelha nem um pouco com o Deus da Bíblia ou de qualquer outra religião. Se um físico disser que Deus é um outro nome para a Constante de Planck, ou que Deus é uma supercorda, nós entenderíamos isso como uma maneira metafórica pitoresca de dizer que a natureza das supercordas ou do valor da constante de Planck é um mistério profundo. Não tem, obviamente, a menor conexão com um ser capaz de perdoar pecadores, escutar preces, que se importa se o Sábado começa às 5 ou 6 da tarde, se você usa véu ou se seu braço está aparecendo; e nenhuma ligação, qualquer que seja, com um ser capaz de impor uma pena de morte a Seu filho a fim de expiar os pecados do mundo antes e depois de nascer.
A fabulosa Bíblia
O mesmo se diz das tentativas de atribuir o Big-Bang da cosmologia moderna ao mito do Gênesis. Há somente uma semelhança totalmente trivial entre as concepções sofisticadas da física moderna e os mitos da criação dos babilônios e dos judeus que herdamos.
O que os “Não-tem-nada-a-ver” têm a dizer sobre as partes da escritura e dos ensinamentos religiosos que outrora seriam considerados verdades religiosas e científicas inquestionáveis; a criação do mundo, da vida, os vários milagres do Velho e Novo Testamento, sobrevivência após a morte, a Virgem dar à luz? Estas histórias tornaram-se, nas mãos dos “Não-tem-nada-a-ver”, pouco mais do que fábulas morais, equivalentes aos contos de Esopo de Hans Anderson. Não há nada de errado nisso, mas é irritante que quase nunca admitam que é isto que estão fazendo.
Por exemplo, ouvi recentemente o ex-Rabino Principal, Sir Immanuel Jacobovits, falando sobre os males do racismo. O racismo é nocivo e, portanto, merece um argumento contrário melhor que o que ele deu. Adão e Eva, argumentou ele, foram os antepassados de toda a raça humana. Conseqüentemente, toda a humanidade pertence a uma raça, a humana.
O que dizer de um argumento como esse? O Rabino Principal é um homem letrado, obviamente não acredita em Adão e Eva. Portanto, o que ele pensou exatamente que estava dizendo?
Ele deve ter usado Adão e Eva como uma fábula, da mesma forma que alguém pode usar a história de Jack o Matador de Gigantes [2] ou da Cinderela para ilustrar algum louvável exemplo de moralidade.
Tenho a impressão que os lideres religiosos estão tão habituados a tratar as histórias bíblicas como fábulas que se esqueceram da diferença entre fato e ficção. É como os que, quando alguém morre no The Archers [3], escrevem cartas de condolências umas às outras.
Herdando a religião [4]
Sendo darwinista, algumas vezes me surpreendo quando examino a religião. A religião apresenta um padrão de hereditariedade o qual penso ser similar à hereditariedade genética. A grande maioria das pessoas segue uma religião particular. Existem centenas de denominações religiosas diferentes, e cada fiel segue apenas uma delas.
Observamos uma estranha coincidência em todas as religiões do mundo: a maioria esmagadora, por uma incrível coincidência, escolhe justamente a de seus pais. Não a que apresenta a melhor evidência a seu favor, os melhores milagres, o melhor código moral, a melhor catedral, o melhor vitral, a melhor música: quando tem que escolher da lista enorme de religiões disponíveis, as virtudes potenciais das mesmas parecem não ter nenhuma importância, se comparada à questão da hereditariedade.
Este é um fato inconfundível; que ninguém poderia seriamente negar. Contudo, as pessoas com completo conhecimento da natureza arbitrária dessa hereditariedade, de algum modo manipulam suas mentes para continuar a acreditar em suas religiões, freqüentemente com tal fanatismo que estão preparadas a assassinar os que sigam uma diferente.
As verdades sobre o cosmos são válidas por todo o Universo. Não diferem no Paquistão, no Afeganistão, na Polônia ou na Noruega. Contudo, estamos aparentemente preparados para aceitar que a religião que adotamos é mais uma questão de geografia.
Se perguntarmos por que estão convencidas da verdade de sua religião, nunca apelariam para a hereditariedade. Quando é apresentada dessa maneira sua fé parece idiotice. Nem apelam à evidência. Não existe nenhuma, e hoje em dia os mais instruídos admitem isso. Não, eles apelam à fé. A fé é a melhor maneira de tirar o corpo fora, a grande desculpa para se evadir da necessidade de pensar e avaliar as evidências. Ter fé é acreditar apesar da, ou até mesmo por causa da, falta de evidência. O pior é que o resto de nós tem que respeitar isso: tratar isso com luvas de pelica.
Se um abatedor não acatar a lei concernente à crueldade com animais, ele é devidamente processado e punido. Mas se houver uma queixa de que suas práticas cruéis são exigências da sua religião, desculpamo-nos veementemente e permitimos que prossiga. Qualquer outra atitude que alguém tome deve-se esperar que seja defendida com algum argumento racional. Só a fé pode ser justificada sem nenhum argumento lógico. A fé deve ser respeitada; e quem não a respeitar é acusado de violação dos direitos humanos.
Mesmo aqueles sem nenhuma fé sofreram lavagem cerebral para respeitar a fé dos outros. Quando os assim chamados líderes muçulmanos da comunidade vão ao rádio e advogam a morte de Salman Rushdie [5], estão claramente incitando um assassinato – um crime pelo qual seriam normalmente processados e possivelmente encarcerados. Mas eles são presos? Não são, porque nossa sociedade secular “respeita” a sua fé, e simpatiza com a profunda “dor” e “insulto” a eles.
Nesse caso, não respeito de jeito nenhum. Respeito seus pontos de vista contanto que possa justificá-los. Mas se você justificar suas opiniões somente dizendo que tem fé nelas, eu não as respeitarei.
Improbabilidades
Quero terminar retornando à ciência. É freqüentemente dito, principalmente pelos “Não-tem-nada-a-ver”, que embora não haja nenhuma evidência positiva para a existência de Deus, não há evidência contra a sua existência. Assim, é melhor manter uma mente aberta e ser agnóstico.
À primeira vista, essa parece uma posição inexpugnável, ao menos no sentido fraco da Aposta de Pascal [6]. Mas pensando um pouco mais, se revela uma tirada de corpo, porque o mesmo poderia ser dito de Papai Noel e da Fadinha do Dente. Pode haver duendes nos pontos recônditos do jardim. Não há nenhuma evidência disso, mas você não pode provar que não há algum por lá. Portanto, não deveríamos ser agnósticos com relação aos duendes?
O problema com o argumento agnóstico é que pode ser aplicado a qualquer coisa. Há um número infinito de crenças hipotéticas que poderíamos ter, as quais não poderíamos positivamente refutar. De um modo geral, não acreditamos na maioria delas, tais como duendes, unicórnios, dragões, Papai Noel, e assim por diante. Mas de um modo geral, as pessoas acreditam em um Deus criador, junto com o que quer que esteja incluído na religião particular de seus pais.
Suspeito que a razão disso é que a maioria das pessoas, mesmo não pertencendo ao partido do “sabe-nada”, não obstante, tem um resíduo de sentimento que o darwinismo não seja abrangente o bastante para explicar tudo sobre a vida. Tudo que posso dizer na posição de biólogo é que o sentimento desaparece progressivamente, quanto mais se lê e estuda sobre o que se sabe sobre a vida e a evolução.
Mais uma coisa. Quanto mais se compreende a importância da evolução, mais se é empurrado da posição de agnóstico para a do ateísmo. Coisas complexas e estatisticamente improváveis são, por sua própria natureza, mais difíceis de explicar do que as simples e estatisticamente prováveis.
A grande beleza da teoria da evolução de Darwin é que explica como coisas complexas e difíceis de compreender poderiam ter emergido passo a passo, de um modo plausível, de origens simples e fáceis de compreender. Iniciamos nossa explicação de coisas quase infinitamente simples: hidrogênio puro e uma quantidade enorme de energia. Nossas explicações científicas, darwinistas, levam-nos através de uma série de etapas graduais e bem-compreendidas rumo a toda a beleza e complexidade espetacular da vida.
A hipótese alternativa, que tudo começou com um ato de criação sobrenatural, não é tão somente supérflua, mas também altamente improvável. Ela cai em contradição com o próprio argumento que foi usado para defendê-la. Isto porque todo Deus digno do nome deve ter sido um ser de inteligência colossal, uma supermente, uma entidade de probabilidade extremamente baixa – um ser muito improvável certamente.
Mesmo se a postulação de tal entidade nos explicasse qualquer coisa (e ela é totalmente desnecessária), isso ainda não nos ajudaria, pois cria um mistério ainda maior do que o que ela procura resolver.
A ciência oferece-nos uma explicação de como a complexidade (o difícil) emergiu da simplicidade (o fácil). A hipótese de Deus não oferece nenhuma explanação de qualquer coisa que valha a pena, porque postula simplesmente o que estamos tentando explicar. Postula o difícil de explicar, e deixa-o assim. Não podemos provar que Deus não existe, mas podemos com segurança concluir que Ele é muito, muito improvável, mesmo.
Notas do tradutor
[1] Nos EUA, é costume das crianças deixarem o dente em algum lugar, e uma moeda aparece em seu lugar. Claro que os pais trocaram o dente pela moeda, mas as crianças acreditam que foi uma fadinha que fez isso.
[2] Foi feito um filme sobre essa fábula e nas décadas de cinqüenta e sessenta, fez muito sucesso.
[3] Um seriado popular da TV norte-americana.
[4] Esse título em inglês faz alusão a um filme famoso sobre a teoria da evolução. O nome do filme é Inherit the Wind (VHS, 1999 e DVD, 1960). Esse filme retrata uma batalha jurídica entre criacionistas e evolucionistas, travada no Kansas, no começo do século XX.
[5] Autor dos Versos Satânicos, livro que critica a bíblia muçulmana: o Corão.
[6] Um ponto de vista filosófico afirmando que você não tem nada a perder com a fé, pois se Deus existir, você não perdeu nada ao acreditar nele.
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
1º Dia do ATEU - Comemora comunidade no Orkut
A repercussão:
(só nesta última semana)
http://absurdioso.blogspot.com/2009/02/
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http://canecaorbital.blogspot.com/2009/
[...]Já existe uma comunidade no Orkut dedicada ao dia do orgulho ateu, onde se votou por estabelecer o dia do ateu em 12 de fevereiro, aniversário de nascimento de Charles Darwin[...]
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http://www.praiadexangrila.com.br/2009/
[...]Feriados e eventos cíclicos
• Dia do orgulho ateu. Esse dia foi escolhido, por uma comunidade de São Paulo, como o dia do orgulho ateu [...]
(só erraram em dois aspéctos, Nossa comunidade só organizou a votação e várias comunidades escolheram e o 2º é que a comunidade não é de São Paulo)
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http://ocastelodaana.blogspot.com/2009/
Hoje é dia: [...], Brasil - Dia do Orgulho Ateu (Só em São Paulo)[...]
(Erraram em afirmar que é só em São Paulo. É dia do ATEU em todo BRASIL)
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Hoje dia 12 de fevereiro, pra quem não sabe, é o dia do Orgulho Ateu! É triste e inaceitável ter espaço pra todas religiões com destaque para as mais conhecidas e não ter para os ateus.
http://brasigo.com.br/perguntas/por-que
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http://twitter.com/DiegoGoes/status/120
É verdade que hoje é o Dia do Orgulho Ateu? E a razão de ser no dia 12 de fevereiro e não em outra data é que hoje nasceu Darwin?
(Não teve como responder ele lá no Site, então aqui eu afirmo ao Diego Goes que dia 12 de fevereiro é Dia do orgulho ATEU ou Dia do Ateu como preferir)
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http://cantofetido.blogspot.com/2009/02
Com direito a charge
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http://hifrank-hifrank.blogspot.com/200
Só uma carinha de gata
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http://www.atea.org.br/index.php?option
Texto do Daniel. ATEA
Gostei muito deste texto, e com a permição do Daniel gostaria de link-lo à comunidade. (Atenção corrigir palavra errada: onde está: peimeira se ler primeira.)
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http://pedropyratero.blogspot.com/2009/
Crítico e engraçado
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http://www.fotolog.com/leeandr_o/668500
Citou o dia do aniversário de Darwin e ainda Falou Do dia do orgulho ATEU
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http://blogdobranquinho.blogspot.com/20
Pelo mundo, entidades de ateus querem fazer da data o Dia do Orgulho Ateu, onde se manifestarão contra o a visão obscurantista e anti-científica que abrange temas como a pesquisa com células-tronco, clonagem, etc.[...]
(Ganhamos estatos internacional)
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http://criacionista.blogspot.com/2009/0
CTRL+C CTRL+V no site da Terra.
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http://proudbrasil.blogspot.com/2009/02
Inclusive, para muitos, é celebrado também o Dia do Orgulho Ateu. Uma data para celebrar e promover o debate sobre um assunto que é TABU nos quatro cantos do mundo. E há muito tempo...
Ual. Muito bom o Blog. Vale apena!
http://neoateus.blogspot.com/2009/02/co
Dia do orgulho ateu, vem sendo apontado por associações como muito "bem-vinda". Ela chegou em uma ótima hora, quando não restavam outras opções contra o preconceito aos ateístas. É uma iniciativa louvável dessas associações.[...]
A improbabilidade de Deus
Muito do que as pessoas fazem é em nome de Deus. Irlandeses explodem uns aos outros em nome de Deus. Árabes explodem-se a si mesmos em seu nome. Imames e aiatolás oprimem mulheres em seu nome. Papas e padres celibatários interferem na vida sexual das pessoas em seu nome. Judeus shohets cortam a garganta de animais em seu nome. As conquistas históricas da religião – cruzadas sangrentas, inquisições torturantes, conquistadores genocidas, missionários destruidores de culturas e toda resistência possível contra o progresso científico – são ainda mais impressionantes. E qual é a parte positiva? Fica cada vez mais evidente que a resposta é “absolutamente nenhuma”. Não há motivos para acreditar na existência de quaisquer tipos de deuses, mas razões bastante boas para concluir que não existem e nunca existiram. Tudo foi apenas um gigantesco desperdício de tempo e vidas. Uma verdadeira piada de proporções cósmicas, se não fosse tão trágico.
Por que as pessoas acreditam em Deus? Para a maioria, a resposta ainda é alguma versão do antigo argumento do “design inteligente”. Nós olhamos a beleza e complexidade do mundo, a forma aerodinâmica da asa de uma andorinha, a delicadeza das flores e das borboletas que as fertilizam; através de um microscópio, vemos vida pulular numa pequena gota d'água, através de um telescópio, vemos a imensidão do Universo. Nós refletimos sobre a complexidade eletrônica e sobre a própria perfeição óptica de nossos olhos. Se possuirmos um pouco de imaginação, tais coisas geram um senso de espanto e reverência. Ademais, não podemos deixar de perceber a óbvia semelhança entre nossos órgãos e os designs cuidadosamente planejados pelos engenheiros humanos. A versão mais célebre desse argumento é a analogia com um “relojoeiro” feita pelo padre William Paley no século XVIII. Mesmo se não soubéssemos o que é um relógio, o caráter de suas engrenagens e molas e como elas se organizam com uma única finalidade nos levaria a concluir “que o relógio forçosamente teve um criador: assim, deve ter existido, em algum tempo e em algum lugar, um artífice, que o construiu com uma finalidade, que compreendeu seu funcionamento, que o projetou”. Se isso é verdade para um relógio relativamente simples, então imagine para um olho, ouvido, rim, fígado, cérebro. Essas lindas, complexas, intrincadas e obviamente pré-planejadas estruturas tiveram um designer, tiveram seu “relojoeiro” – Deus.
Esse é um argumento que praticamente todas pessoas pensativas e sensíveis descobrem elas próprias em algum estágio de suas infâncias. Ao longo da maior parte da história ele provavelmente foi muito convincente, pois se auto-evidencia. No entanto, devido a uma das mais surpreendentes revoluções intelectuais da história, agora sabemos que é falso, ou ao menos supérfluo. Sabemos agora que o aparente “pré-planejamento” dos seres vivos deu-se através de processos inteiramente distintos, um mecanismo que prescinde de qualquer designer e que é fruto de leis físicas muito simples: o processo da evolução das espécies através da seleção natural, descoberto por Charles Darwin e, independentemente, também por Alfred Russel Wallace.
O que todos esses objetos aparentemente projetados têm em comum? Improbabilidade estatística. Se encontrássemos um cristal transparente com o formato de uma lente rudimentar, não concluiríamos que foi projetado por um opticista: as leis da física por si mesmas são capazes de tal feito; não é muito improvável que esse cristal tenha apenas “acontecido”. Mas caso encontrássemos lentes compostas, cuidadosamente constituídas de modo a evitar aberrações esféricas e cromáticas, com proteção anti-reflexo e com as palavras “Carl Zeis” gravadas em sua lateral, saberíamos que elas não podem ser fruto do acaso. Pegando todos os átomos de tal objeto e jogando-os ao acaso sob influência das forças naturais da física, é teoricamente possível que, por pura sorte, os átomos venham a organizar-se no padrão das lentes compostas Zeiss. Mas o número de outras combinações atômicas igualmente possíveis seria tão absurdamente maior que podemos descartar totalmente a hipótese. O acaso está fora de questão como explicação.
Esse argumento não é circular. Entretanto, talvez pareça ser porque, poder-se-ia argumentar, todos os possíveis arranjos dos átomos são igualmente improváveis. Analogamente ao exemplo anterior, se uma bola de golfe cai especificamente sobre uma folha de gramínea, seria tolo dizer: “entre os bilhões de folhas sobre as quais ela poderia ter caído, acabou caindo justamente nesta. Que coincidência incrível!”. A falácia é, obviamente, que a bola obrigatoriamente precisa cair em algum lugar. Um evento desse tipo apenas seria surpreendentemente improvável se o especificássemos antes dele ocorrer: por exemplo, um homem vendado, sem referencial de direção, dá uma tacada a esmo e acerta o buraco de prima. Isso seria verdadeiramente admirável, pois a trajetória da bola foi definida a priori.
Entre todos os trilhões de modos diferentes de organizar os átomos de um telescópio, apenas uma minoria teria alguma utilidade. Apenas uma minúscula minoria possuiria as palavras “Carl Zeiss” gravadas, ou quaisquer outras palavras conhecidas pelo homem. O mesmo vale para o relógio: de todos os bilhões de possíveis combinações, apenas uma reduzidíssima quantidade mediria o tempo precisamente ou teria alguma outra utilidade. Isso se aplica, a fortiori, para nossos órgãos. Dentre todas as possíveis formas de organizar um corpo, apenas uma quantidade infinitesimal sobreviveria, lutaria por alimento e se reproduziria. Pode-se viver de muitas formas, é verdade: pelo menos dez milhões (se considerarmos o número de espécies distintas atualmente existentes). O fato é que, apesar de haver uma grande quantidade de formas através das quais podemos viver, certamente há uma quantidade esmagadoramente maior de formas através das quais não há vida alguma!
Podemos seguramente concluir que nossos corpos são demasiado complexos para terem surgido do acaso. Então como vieram a existir? A resposta é que o “acaso” entra na história, mas não apenas como um acaso simples e isolado. Em vez disso, incontáveis séries de pequenos acasos, minúsculas mudanças pequenas o suficiente para serem passíveis de ocorrência casual, foram ocorrendo uma após a outra em seqüência. Essas pequenas alterações casuais são advindas de mutações genéticas, mudanças aleatórias – erros de fato – no material genético. Elas dão origem às mudanças na forma corporal existente. Entretanto, a maioria dessas mudanças é prejudicial e acarreta a morte do indivíduo; uma minoria delas, contudo, é positiva, gerando um leve aperfeiçoamento, o que implica aumento na taxa de sobrevivência e reprodução. Através desse processo de seleção natural, as mudanças aleatórias que forem benéficas eventualmente tornar-se-ão predominantes. Agora o cenário está novamente pronto para outra mudança sutil. Após, digamos, mil dessas pequenas mudanças, cada uma servindo de base para a outra, o resultado final torna-se, pelo processo de acumulação, excessivamente complexo para surgir de uma só vez.
Por exemplo, é teoricamente possível que um olho tenha surgido do nada, num único golpe de sorte. É teoricamente possível que uma “receita” tenha sido “escrita” por uma grande quantidade de mutações gênicas. Se todas essas mutações ocorressem simultaneamente, um olho completo surgiria literalmente do nada. Apesar disso ser possível em teoria, na prática é inconcebível. A quantidade de sorte necessária é muito grande. A “receita correta” envolve uma enorme quantidade de genes concomitantemente, é uma combinação em particular entre trilhões de outras. Podemos, certamente, descartar a possibilidade de tal coincidência milagrosa. Mas é perfeitamente plausível que o olho moderno tenha surgido de algo parecido com ele, mas não igual: um olho levemente menos elaborado. Através do mesmo processo, esse “olho menos elaborado” surgiu de outro ainda menos sofisticado, e assim por diante. Admitindo uma quantidade suficiente de pequenas diferenças entre cada estágio evolucionário e seu predecessor, seria possível derivar o olho moderno do nada, simplesmente da pele. Quantos estágios intermediários podemos postular? Isso depende da quantidade de tempo disponível. Houve tempo suficiente para que os olhos evoluíssem passo a passo a partir do nada?
Os fósseis nos dizem que a vida vem evoluindo na Terra há mais de três bilhões de anos. É praticamente impossível à mente humana imaginar tal quantidade de tempo. Nós, naturalmente e felizmente, tendemos a achar que nossas vidas são bastante longas, apesar de provavelmente não vivermos nem um século. Nestes 2000 anos desde que Jesus viveu, o lapso de tempo foi grande o suficiente para obscurecer a distinção entre história e mito. Você pode imaginar uma quantidade de tempo um milhão de vezes maior? Suponha que desejássemos escrever toda a história num único pergaminho. Colocando toda a história depois de Cristo em um metro de pergaminho, quão longa seria a parte correspondente à era pré-cristã, desde o começo da evolução? A resposta seria a distância entre Milão e Moscou. Pense nas implicações disso em relação à quantidade de possíveis mudanças evolucionárias. Todas as raças de cachorros domésticos – pequineses, poodles, são bernardos e chiuauas – originaram-se dos lobos há uma quantidade de tempo que pode ser medida em centenas ou no máximo milhares de anos: não mais que dois metros na estrada entre Milão e Moscou. Pense na quantidade de diferenças entre um lobo e um pequinês, agora multiplique essa quantidade por um milhão. Vendo por esse prisma, fica fácil acreditar que o olho moderno poderia ter surgido gradualmente, passo a passo.
Continua sendo necessário, para que tal explicação seja plausível, que todos os intermediários do processo evolucionário, digamos, da pele até o olho moderno, tenham sido favorecidos pela seleção natural; haveria uma sofisticação gradual sobre seu predecessor, ou ao menos ele teria sobrevivido. Não teria muito valor provar apenas em teoria que houve uma cadeia de intermediários levemente distintos que desembocou no olho moderno, se muitos desses intermediários acabassem morrendo. Alguns argumentam que todas as partes do olho precisariam estar juntas e organizadas ou ele não funcionaria em absoluto. Meio olho, segundo esse argumento, é tão útil quanto nenhum. Não se voa com meia asa; não se ouve com meio ouvido. Assim sendo, não poderia haver uma série gradual de intermediários que resultaria no olho, asa ou ouvido modernos.
Esse argumento é tão ingênuo que apenas fico a imaginar quais são os motivos subconscientes que levam uma pessoa a defendê-lo. Meio olho, obviamente, não é inútil. Indivíduos com catarata que tiveram seus cristalinos removidos cirurgicamente não podem enxergar bem sem óculos, mas se estivessem cegos seria muito pior. Sem o cristalino é impossível focalizar uma imagem detalhadamente, mas ainda assim pode-se evitar colisões com obstáculos e também detectar a sombra de um possível predador.
O argumento de que não se pode voar com meia asa é contestado pelo grande número de animais planadores muito bem-sucedidos, incluindo muitos tipos de mamíferos, lagartos, sapos, cobras e lulas. Muitos animais que vivem em copas de árvores têm membranas entre suas juntas que realmente funcionam como semi-asas. Quando caem de uma árvore, o aumento da superfície de contado proporcionado pelas membranas pode significar a diferença entre a vida e a morte. Sejam as membranas grandes ou pequenas, sempre haverá uma altura crítica na qual elas podem salvar-lhes a vida. Assim, quando seus descendentes desenvolveram essa “superfície extra”, passou a haver um menor índice de mortes, pois sobreviviam mesmo se caíssem de alturas maiores. Desse modo, através de incontáveis mudanças quase imperceptíveis, chegamos-se às asas atuais.
Olhos e asas não “brotam” de uma só vez. Isso seria tão improvável quanto acertar a combinação de um grande cofre bancário. Mas, se formos girando o painel do cofre ao acaso, e a cada vez que acertássemos a posição, a porta se abrisse um pouco mais, rapidamente conseguiríamos destrancá-lo. É esse o “mecanismo secreto” através do qual evolução pela seleção natural alcança o que, a princípio, parecia impossível. Coisas que não podem ser plausivelmente derivadas de predecessores muito distantes podem plausivelmente ser derivadas de predecessores levemente diferentes. Se houver uma série longa o suficiente dessas mudanças sutis, uma coisa pode dar origem a qualquer outra.
A evolução, então, é teoricamente capaz de fazer o que, a princípio, parecia uma prerrogativa de Deus. Mas há evidências de que a evolução ocorreu? A resposta é sim; as evidências são esmagadoras. Milhões de fósseis são encontrados exatamente nos locais e profundidades calculadas caso a evolução tivesse ocorrido. Jamais foi encontrado um fóssil que serviu de evidência contra a teoria da evolução: a descoberta de um mamífero incrustado em rochas mais antigas que os peixes, por exemplo, seria suficiente para refutar o evolucionismo.
Os padrões de distribuição dos animais e plantas nos continentes e ilhas são exatamente os previstos caso houvessem evoluído de um ancestral comum através de um processo lento e gradual. Padrões de semelhança entre animais e plantas são exatamente os esperados caso tivessem parentesco próximo a alguns e distante a outros. O fato de o código genético ser o mesmo em todas as criaturas sugere fortemente que descendemos de um ancestral comum. As evidências da evolução são tão contundentes que o único modo de “salvar” a teoria criacionista seria argumentar que Deus, deliberadamente, plantou enormes quantidades de evidências para nos enganar, fazendo com que a evolução apenas parecesse ter acontecido. Em outras palavras, os fósseis, a distribuição geográfica dos animais e assim por diante, são apenas um grande truque. Alguém gostaria de adorar um Deus capaz de tal feito? É certamente mais sensato, além de cientificamente coerente, aceitar as evidências: todas as criaturas possuem parentesco e descendem de um ancestral remoto que viveu há mais de três bilhões de anos.
O argumento do design foi destruído como justificativa para a crença em Deus. Há outros argumentos? Algumas pessoas crêem em Deus devido ao que julgam ser uma “revelação interna”. Tais revelações não são sempre edificantes, mas indubitavelmente parecem reais. Muitos pacientes de manicômios crêem efetivamente que são Napoleão Bonaparte ou Deus em pessoa. Não há dúvida quanto ao poder que tais convicções exercem sobre eles, mas não existem motivos para que o resto de nós acredite nisso. Na verdade, se várias crenças se contradizem mutuamente, não podemos aceita-las em absoluto.
Um pouco mais precisa ser dito. A evolução através da seleção natural explica muitas coisas, mas não pode ter surgido do nada. A evolução não poderia existir até que houvesse algum tipo, mesmo que rudimentar, de reprodução e hereditariedade. A hereditariedade moderna baseia-se no DNA, o qual é excessivamente complexo para ter surgido espontaneamente. Isso indica que provavelmente deve ter existido algum tipo de sistema hereditário – agora extinto – simples o suficiente para surgir do acaso e de leis químicas, que proporcionou o meio no qual a forma primitiva da seleção natural cumulativa poderia iniciar-se. O DNA foi apenas um produto de tal seleção.
Antes dessa “seleção natural primitiva”, houve um período no qual compostos químicos complexos eram formados a partir de compostos simples e, antes disso, os elementos químicos foram construídos de outros ainda mais simples; tudo muito bem explicado por leis físicas. E ainda antes disso, logo após o big-bang – que deu início ao Universo –, praticamente tudo era formado por hidrogênio.
Há uma tentação para argumentar que, apesar de Deus não ser necessário para explicar como a intrincada organização do Universo – que se deve fundamentalmente a leis físicas – começou, precisamos de Deus para explicar a origem de todas as coisas. Tal visão não deixa para Deus muitas funções: ele apenas daria início ao big-bang e esperaria tudo acontecer. O físico-químico Peter Atkins, em seu maravilhoso livro “A Criação”, postula que o “Deus indolente” esforçou-se para fazer o mínimo de trabalho possível na criação do Universo. Atkins explica como cada passo na história do Universo prosseguiu, através de simples leis físicas, de seu predecessor. E assim demonstrou que a quantidade de esforço que o “criador preguiçoso” precisaria ter despendido seria, de fato, zero.
Os detalhes sobre as fases iniciais do Universo concernem ao âmbito da física, e já que sou biólogo, estou mais preocupado com fases subseqüentes da complexidade evolucionária. Para mim, o importante é que, mesmo sendo necessário postular um mínimo irredutível que precisaria estar presente no começo de tudo para que as coisas se iniciassem, esse mínimo irredutível, com certeza, seria extremamente simples. Por definição, explicações fundamentadas em premissas simples são mais plausíveis e satisfatórias que teorias segundo as quais é necessário postular eventos complexos e estatisticamente improváveis, e certamente não se pode pensar em nada muito mais complexo e improvável que um Deus todo-poderoso.

