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quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

O que é Religião? Parte III

III

A maior parte das pessoas se apega ao sobrenatural. Se abandonarem um Deus, logo em seguida imaginam outro. Tendo posto Jeová de lado, falam sobre o poder que trabalha pelo bem.

O que é este poder?

O homem avança, e necessariamente avança através da experiência. Um homem, desejando ir a um certo local, chega a um ponto onde a estrada bifurca-se. O homem segue pelo caminho da esquerda, acreditando ser esse o caminho certo, e continua a viajar até descobrir que tomou o caminho errado. Então redefine seu percurso e toma o caminho da direita, chegando, assim, ao local desejado. A próxima vez em que o homem quiser ir àquele lugar, não seguirá pelo caminho da esquerda, pois já fez essa trajetória e sabe que é errada. Assim, ele segue pelo caminho da direita, e por isso os teólogos dizem: “Há um poder que trabalha pelo bem”.

Uma criança, encantada pela beleza de uma chama, tenta pegá-la com a mão. A mão é queimada, e após isso a criança mantém sua mão longe do fogo. O poder que trabalha pelo bem ensinou uma lição à criança.

A experiência acumulada do mundo é o poder e a força que trabalha pelo bem. Essa força não é consciente, não é inteligente. Não tem vontade, não tem objetivo. É somente um resultado.

Milhares também tentaram estabelecer a existência de Deus pelo fato de termos aquilo que se denomina senso moral; isto é, uma consciência.

Teólogos e muitos dos assim chamados “filósofos” insistem que este senso moral, este senso de dever, de obrigação, veio de fora, e que a consciência é algo especial. Partindo da idéia de que este senso moral não foi produzido aqui, que não foi produzido pelos homens, então imaginam um Deus do qual isso proveio.

O homem é um ser social. Vivemos juntos em famílias, tribos e nações.

Os membros de uma família, de uma tribo ou de uma nação que aumentam a felicidade da família, da tribo ou da nação são considerados bons membros. São elogiados, admirados e respeitados. São considerados bons, isto é, morais.

Os membros que produzem miséria na família, na tribo ou na nação são considerados maus membros. São acusados, desprezados e punidos. São considerados imorais.

A família, a tribo, a nação, criam padrões de conduta, de moralidade. Não há qualquer coisa de sobrenatural nisso.

O mais grandioso dos seres humanos disse: “A consciência nasce do amor”.

Este senso de obrigação, de dever, foi produzido naturalmente.

Entre selvagens, as conseqüências imediatas das ações são levadas em consideração. Na medida em que os povos avançam, as conseqüências mais distantes são percebidas. O padrão de conduta torna-se mais elevado. A imaginação é cultivada. O homem torna-se capaz de colocar a si mesmo no lugar do outro. O senso de dever torna-se mais forte, mais imperativo. O homem passa a julgar a si próprio.

O homem ama, e o amor é o princípio, a fundação das mais elevadas virtudes. Se fere alguém que ama, então vem o remorso, o arrependimento, a tristeza, a consciência. Nisso tudo não há nada de sobrenatural.

O homem enganou a si próprio. A natureza é um espelho no qual o homem vê sua própria imagem, e todas as religiões sobrenaturais se embasam na pretensão de que a imagem, que parece estar por detrás deste espelho, foi alcançada.

Todos os metafísicos espiritualistas, de Platão a Swedenborg, manufaturaram seus fatos, e todos os fundadores de religião têm feito o mesmo.

Suponhamos que um Deus infinito exista. O que podemos fazer por ele? Sendo infinito, também é incondicional; sendo incondicional, não pode ser beneficiado ou prejudicado. Deus não pode querer: ele tem.

Pense no egotismo de um homem que acredita que um ser infinito deseja suas preces!

Ateus.net

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